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Amar requer coragem.

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As pedras do caminho.

Fonte da imagem: http://www.publicdomainpictures.net/view-image.phpimage=167941&picture=semi-preciosas-pedras-de-agata
Nas ruas da infância perdida, 

colhia pedras coloridas...


Em diamantes, esmeraldas e rubis,

transmutavam-se as pedras do caminho,

na imaginação da menina...


Luziam ao sol vespertino,

nas ruas de terra clara...


Saudades da minha infância,

dos tesouros que amealhei

colhendo pedras coloridas,

nas ruas onde passei.


Jeanne Geyer

Chutando o balde.

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...” - Chico Buarque.
Bem, estou chutando baldes, muitos baldes hoje. Tem um limite para a paciência e tem dias que rompem todas as represas duramente construídas para minimante suportar a dureza da vida.Hoje especialmente estou muito incomodada com o projeto de terceirização e a malfadada reforma da previdência.
Que venham os baldes! Muitos baldes!
Jeanne Geyer

Ode à loucura.

São Francisco, natureza,
Formiguinhas, que beleza,
Entre flores e amores,
Em público despiu-se de pudores...

São Francisco louco sois
São Francisco loucos sóis
Loucos girassóis
Loucos ideais...

No girar do planetinha,
Na viagem estelar,
A mãe terra abrigou
Loucos de todos os tipos,
Loucos e santos,

Loucos santos,
Santos loucos...

Ó malditos! Loucos sois,
Ó benditos! Loucos sóis...

Gira, gira, planetinha azul
Amorosamente abrigas
Humanos de todos os tipos
Em viagens inter-galáxias...
Via Láctea, nave mãe.

No girar constante,
Abrigas o ser mutante,
O louco pós-moderno...

Angelina Jolie,
Lady Di
Cazuza e outros tais
Que ousam,
Vejam só a ironia,
A ousadia,
Ver amor na dor,
Na miséria,
Na apatia dos normais...
E se doam, e se imolam...

O louco pós-moderno, 
Aboliu a castidade...

Ó loucos,
Até onde vocês irão?
Quais limites ainda derrubarão?

Vós sois ilimitados...
Sois sóis...

Loucos Santos,
Santos Loucos...

Jeanne Geyer

O filho imperfeito.

Ela sempre catou feijão com cuidado. Com a atenção nos grãos, com dedos ágeis separava: esse vai para panela, esse não, esse vai, esse não.  Assim, em pouco tempo, tinha uma panela com belos e perfeitos grãos selecionados, e a um canto, o resto. Os que sobravam, os imperfeitos, eram jogados no lixo e tudo estaria pronto. Tudo estaria garantido.
Quando nasceu o filho imperfeito, absurdamente lembrou-se dos feijões jogados no lixo. Esqueceu que a vida não oferece garantias.
Enfrentou a dura realidade de uma sociedade que trata pessoas como grãos de feijão.
Jeanne Geyer

Os estranhos caminhos de uma vida.

Tenho noventa anos e a única coisa que ainda funciona nesse velho corpo é a mente. Fazendo uso de cadeira de rodas há um certo tempo, ainda acesso o meu computador. Tenho pressa, como todos os velhos têm pressa.A morte, ah, a única adversária à minha altura, me espreita desde que nasci, sei lá porque forças da natureza.Meu nome é Pedro e vou te contar minha história. Para ser sincero, nem sei como estou vivo, talvez devido ao meu nome, como dizia minha mãe. Ela me contava, entre outras histórias, que Jesus disse ao apóstolo Pedro: - “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.Desde criança, porque pequeno sempre fui, achava esta frase bonita, sentia-me importante.Os acontecimentos trágicos que cercaram minha vida estão enovelados na minha mente, que para meu desespero ainda é lúcida. Então fico a pensar por onde começar.Quando queria contar uma traquinagem para mamãe e ficava gaguejando, ela inevitavelmente me dizia, comece pelo início, já com cara brava, pois sabia que…

A criança e o desenho.

- Pai, olha só o desenho que eu fiz...- Pai?
O som da TV que exibe a novela preferida da mãe é quebrado a intervalos regulares pelo som que o pai provoca ao virar as folhas do jornal.
Do pai o menino só enxerga as mãos.
Jeanne Geyer